O recente episódio de M. Pinho, ministro da Economia, a fazer "cornos" na AR, é uma fonte para as mais variadas posições: desde paladinos da honra das instituições a libertários que apelam a um informalismo e ao fim do conservadorismo...
Colocam-se vários problemas, na minha opinião: os cornos, per se, representam apenas uma falta de educação e de tacto, inesperados de um cidadão bem formado, com uma formação exemplar, como é o caso do ministro exonerado - isso não é razão para fazer cair um membro do Governo, falemos a sério; quer-se um governante capaz e respeitador da DEMOCRACIA e da Manutenção das Instituições; o problema do caso é meramente formal, por isso, logo não deveria ter, em princípio, uma consequência tão forte.
Por outro lado, não podemos esquecer o contexto em que a cena ocorreu: no meio do debate do Estado da Nação, na AR, perante a qual o Governo é constitucionalmente responsável. Sim, basicamente M. Pinho chamou de "chifrudo" a um dos "patrões". Ora, se numa empresa, isso ocorresse, o empregado seria despedido imediatamente, logo, em nome da igualdade, M. Pinho tinha mesmo de desaparecer de cena... A situação agrava-se ainda mais tendo em conta a dimensão da empresa: é o Estado; o empregador, o símbolo máximo da democracia, ao representar proporcionalmente as escolhas e orientações políticas do Povo Português. Ora, assim, temos claramente que afirmar que a posição de M. Pinho era, no mínimo, complicada, sendo a sua atitude inadmissível, não só por razões de trato social, mas sobretudo pelo devido respeito que um titular de órgão de soberania merece, impondo-se o princípio da solidariedade e da cooperação institucional, que orientam fortemente a actuação de todas as instituições estatais...
Complicado! A exoneração, talvez precipitada, talvez excessiva, mas não injusta...
quarta-feira, 8 de julho de 2009
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