terça-feira, 16 de setembro de 2008

Crise Internacional ou "Segunda-Feira Negra"

A crise internacional tem tido, nos últimos dias, uma grande evolução, com episódios preocupantes.
Um dos mais significativos foi o da nacionalização (em sentido muito lato, não correspondendo ao termo jurídico em Portugal...) das instituições de crédito Freddie Mac e Fannie por parte do Administração dos EUA. Muitos comentam que este acto foi a declaração de óbito do neoliberalismo de Reagan. Talvez seja excessivo dizer que o neoliberalismo morreu, mas certamente sofreu um choque que vai obrigar a uma mutação radical desta teoria económica.
Outro episódio ocorreu ontem, 15 de Setembro, que alguns cogitam ser a "Segunda-Feira Negra", com a declaração de falência do banco Lehman Brothers, que já na semana passada estava a ser quase adquirido por entidades coreanas. Cria-se uma situação delicada, pois a falência deste banco, numa sociedade consumista e com forte dependência em créditos, como é a americana, é um sinal de grande preocupação, tanto para a manutenção de outras entidades de crédito, mas também para os cidadãos, que vão ter credores mais exigentes e implacáveis,por um lado, e, por outro, terá mais dificuldade em adquirir capital para gastos pessoais e para investimento - em suma, vai haver uma dificuldade de adquirir crédito aliada a uma quebra do consumo que vai se repercutir em todos os sectores da economia americana e, tal como em 1929, tende a repercutir-se por todo o globo. Contudo, é igualmente interessante verificar que o Lehman esteve a ser sondado por entidades coreanas, que faz parte dos países asiáticos emergentes (se bem que em condições completamente diversas das da China e da Índia...) - é a possibilidade de estes novos agentes virem a salvar a economia ocidental e, mais do que isso, a possui-la e, por sua vez, inverter o paradigma das últimas décadas de total dependência da economia global à economia Ocidental, nomeadamente a dos EUA... Os próximos anos vão mudar por completo a nossa concepção do mundo... esperemos, contudo, que o paradigma democrático não esmoreça uma vez mais à crise económica - será que o mundo aguentaria uma nova vaga de totalitarismos? Espero que não tenhamos de sabê-lo...

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