Tenho de admitir que ontem, quando incidentalmente mudei de canal e vi o Bastonário da Ordem dos Advogados a ser entrevistado por M. Moura Guedes, indignando-se e lançando fortes críticas, fiquei pasmo!
Em nome dos meus princípios, deixei de ver o jornal da TVI, pela descarada intenção de moldar mentes contra o Governo - a demanda do Freeport (longe de resolvida e cujo fim é urgente para a boa saúde da nossa democracia) torna-se um circo naquele canal, com uma visão acusadora e implacável, além de comentários (em tudo desnecessários) da apresentadora..., por exemplo -, apesar do seu papel positivo (de não permitir um descansar do governo), é inadmissível por violar claramente qualquer concepção de ética, agravada pela forte relevância dos meios de comunicação social como "opinion-makers" - Ninguém, mesmo o mais monstruoso ser, repito, NINGUÉM deve ser julgado dessa forma! A televisão não é, nem pode ser, um tribunal, para acusar um cidadão de forma tão violenta! - Sem falar que a constante transmissão de gravações coloca inúmeras dúvidas legais...
Por isso, gostei de ver alguém virar-se para M.M. Guedes e dizer-lhe, claramente, que a sua actuação é vergonhosa! Uma jornalista que se diz séria não pode fazer comentários ao fim de cada reportagem - "O Primeiro-Ministro..."; "O Governo...".
A TVI chega a ser ridícula; e.g.: quando V. Pulido Valente, nas eleições do PSD, diz que M. Ferreira Leite é a melhor candidata porque não disse nada... Sim! foi isto que ele disse... Meus caros, como pode um jornal chegar a este nível? Uma coisa é tomar partido, ter uma linha política, outra é não ter a menor seriedade... uma vez mais, rídiculo!
Contudo, verdade seja dita, Marinho Pinto não deveria ter actuado como actuou - oponho-me não tanto às críticas (apesar de ser duvidosa a admissibilidade de um BOA tão... activo, num caso tão específico e com uma relevância política tão forte, onde se exige isenção e algum afastamento para uma análise séria), mas sobretudo à forma: ele exaltou-se, excedendo claramente o bom senso e a postura que a sua função impõe. Ele é, e actuava na função de, um órgão da Ordem dos Advogados, uma peça fundamental no sistema judicial - lato sensu -, deve, por isso, comportar-se com calma e ponderação - só aos Deputados é que se admite alguma informalidade discursiva (o que coloca vários problemas, que davam para muitos posts...). Critico-o por ter actuado como poucas vezes actuei (só em ambientes informais e com pessoas do foro pessoal...), mas felicito-o por ter dito o que eu gostaria de ter falado à pivot do Jornal Nacional...
Substância justa, Forma Irregular....
sábado, 23 de maio de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário